Houve discos vendidos aos milhões, programas de televisão acompanhados por multidões e estrelas capazes de atravessar fronteiras.
Mas, nos anos 80, Michael ajudou a levar tudo isso a uma nova dimensão.
Com música, dança, televisão, videoclipes e uma imagem cuidadosamente construída, ele mostrou que um artista pop podia ser reconhecido praticamente em qualquer lugar do mundo.
O pop deixou de parecer apenas um grande fenômeno nacional.
Passou a funcionar em escala global.
O terreno já estava preparado
Michael Jackson não começou sua trajetória nos anos 80.
Ainda criança, já havia conquistado enorme popularidade com os Jackson 5.
Isso lhe deu algo raro: experiência de palco, estúdio, televisão e contato com grandes públicos desde muito cedo.
Quando iniciou sua fase adulta como artista solo, ele já entendia profundamente como uma canção podia se transformar em espetáculo.
O álbum Off the Wall, de 1979, mostrou esse novo momento.
Mas o que viria depois mudaria completamente a dimensão de sua carreira.
Thriller transformou um álbum em acontecimento mundial
Lançado em 1982, Thriller reuniu pop, soul, funk, rock e R&B em um formato capaz de atingir públicos muito diferentes.
Essa mistura foi decisiva.
Uma pessoa podia chegar ao disco por uma balada.
Outra por uma música dançante.
Outra pela guitarra de “Beat It”.
Outra pelo groove de “Billie Jean”.
O álbum não parecia preso a um único gênero.
E justamente por isso conseguia circular por diferentes rádios, públicos e mercados.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos descreve o sucesso nacional e internacional de Thriller como extraordinário e destaca sua influência sobre a indústria fonográfica e a música popular.
A televisão multiplicou o alcance
Nos anos 80, a televisão musical estava se tornando uma força cada vez maior.
Michael Jackson percebeu o potencial daquele espaço.
Videoclipes deixaram de funcionar apenas como imagens promocionais de uma música.
Com ele, passaram a ser acontecimentos.
“Billie Jean”, “Beat It” e, especialmente, “Thriller” ajudaram a transformar a relação entre música e televisão.
O Grammy descreve o vídeo de “Thriller”, com quase 14 minutos, como um momento decisivo para a MTV e para a união entre cinema e música.
O videoclipe passou a ser espetáculo
“Thriller” parecia mais próximo de um pequeno filme do que de um videoclipe convencional.
Havia história.
Coreografia.
Maquiagem.
Figurinos.
Efeitos.
Personagens.
Suspense.
A música continuava sendo o centro, mas agora havia um universo visual inteiro em volta dela.
Isso mudou a expectativa do público.
Um grande lançamento podia ter uma imagem tão importante quanto a própria gravação.
A dança virou uma linguagem universal
Nem todo mundo falava inglês.
Mas ninguém precisava de tradução para entender uma coreografia.
Esse foi outro elemento fundamental na expansão da imagem de Michael Jackson.
Seus movimentos podiam ser repetidos em qualquer país.
O moonwalk se tornou um dos exemplos mais famosos.
Michael apresentou sua versão do movimento em 1983, durante o especial televisivo Motown 25, em uma performance de “Billie Jean”. O momento rapidamente se tornou parte de sua identidade pública.
A partir daí, música e movimento ficaram praticamente inseparáveis.
Uma silhueta bastava
Poucos artistas conseguiram construir uma identidade visual tão reconhecível.
O chapéu.
A luva.
As meias brancas.
As jaquetas.
Determinadas poses.
Certos movimentos.
Em muitos casos, nem era necessário mostrar o rosto.
Uma silhueta já bastava para o público saber quem estava ali.
Essa força visual ajudou muito na criação de uma imagem internacional.
O pop começou a atravessar gêneros com mais facilidade
Michael Jackson também ajudou a mostrar que o pop podia absorver diferentes linguagens sem perder sua identidade.
Em “Beat It”, por exemplo, a presença da guitarra de Eddie Van Halen aproximava o universo do rock de uma produção construída sobre outra tradição musical.
Em outras faixas, funk, disco, soul e R&B apareciam naturalmente.
O Rock & Roll Hall of Fame destaca justamente essa capacidade de misturar gêneros e de redefinir tanto o som quanto a aparência do pop em escala mundial.
Uma música podia chegar a públicos muito diferentes
Esse cruzamento de estilos tinha uma consequência importante.
Michael não precisava depender de um único tipo de ouvinte.
Uma mesma era podia conversar com fãs de pop, rock, soul, funk e música dançante.
Isso ampliava enormemente o alcance.
As fronteiras entre mercados começaram a parecer menores.
Rádio, discos, televisão e shows trabalhando juntos
A escala também veio da combinação de meios.
A música tocava no rádio.
O disco estava nas lojas.
O clipe aparecia na televisão.
As apresentações eram comentadas.
As coreografias eram copiadas.
As roupas chamavam atenção.
Uma coisa alimentava a outra.
A música criava interesse pelo vídeo.
O vídeo aumentava o interesse pelo disco.
O disco ampliava a expectativa pelo show.
Era uma engrenagem de cultura pop funcionando em várias direções ao mesmo tempo.
Michael e a ascensão da MTV
A relação entre Michael Jackson e a MTV foi especialmente importante.
No início dos anos 80, a emissora ainda estava construindo sua identidade.
O enorme sucesso dos vídeos de Michael ajudou a aumentar a importância do videoclipe e da própria MTV na cultura popular.
Segundo o Grammy, a intensa exposição de Thriller em videoclipes ajudou tanto o álbum quanto a jovem emissora a alcançar um novo patamar de visibilidade.
Foi uma relação em que artista e meio de comunicação cresceram juntos.
Um lançamento deixou de ser apenas uma música nova
Esse talvez seja um dos efeitos mais duradouros daquela transformação.
Um grande artista pop passou a lançar não apenas uma canção.
Lançava uma imagem.
Uma coreografia.
Um figurino.
Um vídeo.
Uma performance.
Um acontecimento.
Décadas depois, essa lógica continua presente na indústria musical.
O mundo passou a reconhecer os mesmos símbolos
A televisão por satélite, a expansão dos videoclipes, a circulação internacional de discos e o crescimento dos grandes meios de comunicação ajudaram a aproximar mercados.
Michael Jackson apareceu no centro desse processo.
Pessoas de países, idiomas e culturas diferentes passaram a reconhecer as mesmas músicas e os mesmos movimentos.
O pop ganhou uma espécie de vocabulário comum.
O artista virou uma marca cultural
Com Michael, a identidade do artista não estava apenas na voz.
Estava também nos gestos, nas roupas, nos vídeos e até na maneira de entrar em cena.
Isso ajudou a estabelecer um modelo que seria seguido por inúmeras estrelas depois dele.
A carreira musical passou a ser pensada também como experiência visual e cultural.
Quando o pop pareceu caber no planeta inteiro
Michael Jackson não criou sozinho a internacionalização da música popular.
Artistas anteriores já haviam conquistado públicos enormes em diferentes países.
Mas sua carreira nos anos 80 reuniu elementos que estavam crescendo naquele momento e levou essa combinação a uma escala impressionante.
Discos.
Rádio.
Televisão.
Cinema.
Dança.
Moda.
Tecnologia.
Tudo se encontrou.
E quando Michael Jackson aparecia em uma tela, começava uma música ou fazia um movimento reconhecível, milhões de pessoas em lugares completamente diferentes entendiam imediatamente o que estavam vendo.
Talvez seja aí que esteja uma das maiores transformações daquela era.
O pop já era grande.
Com Michael Jackson, ele passou a parecer mundial.
