A música muda de roupa com o passar das décadas, mas algumas características sobrevivem ao tempo. Grandes vozes, refrões fortes, presença de palco, sintetizadores, guitarras e personalidade continuam funcionando em qualquer geração. Por isso, alguns artistas atuais talvez se sentissem perfeitamente à vontade se fossem transportados diretamente para os anos 80.
Imagine ligar o rádio em 1986 e, depois de ouvir A-ha, Madonna, Bon Jovi ou Whitney Houston, encontrar uma música de The Weeknd, Dua Lipa ou Bruno Mars. À primeira vista, poderia parecer estranho, mas talvez não fosse tanto assim. Muitos artistas atuais carregam influências evidentes de décadas anteriores, especialmente dos anos 80, e em alguns casos bastaria trocar parte da produção moderna por sintetizadores analógicos, baterias eletrônicas, guitarras maiores e aquele reverb generoso que fazia tudo parecer gigantesco.
A brincadeira, então, é simples: quais artistas de hoje provavelmente fariam sucesso se tivessem começado a carreira nos anos 80?
The Weeknd já parece ter encontrado uma máquina do tempo
The Weeknd talvez seja o caso mais evidente. Sua música trabalha frequentemente com sintetizadores, atmosferas noturnas, linhas eletrônicas e melodias que remetem diretamente ao synthpop e à new wave. Em vários momentos, sua produção parece olhar para os anos 80 não como uma referência distante, mas como uma linguagem ainda perfeitamente utilizável.
Se tivesse começado a carreira em 1985, provavelmente não precisaria mudar tanto. Talvez ganhasse apenas mais teclados analógicos, uma bateria ainda maior e um videoclipe cheio de neon.
Como poderia soar nos anos 80: synthpop, new wave e pop eletrônico com refrões grandiosos.
Dua Lipa caberia perfeitamente numa pista de dança de 1987
Dua Lipa tem uma relação muito forte com sonoridades vindas do disco, do funk e do pop dançante. Suas linhas de baixo, refrões e arranjos poderiam ser facilmente reconstruídos dentro da estética oitentista. Bastaria trocar alguns elementos modernos por sintetizadores vintage e baterias eletrônicas para que suas músicas soassem como algo encontrado em uma pista de dança de 1987.
Além disso, seu forte apelo visual combinaria muito bem com uma época em que os videoclipes começaram a definir carreiras e transformar cantores em grandes figuras da cultura pop.
Como poderia soar nos anos 80: dance-pop sofisticado, baixo marcante e sintetizadores brilhantes.
Bruno Mars teria espaço no rádio, na pista e no palco
Bruno Mars provavelmente seria um daqueles artistas capazes de circular por vários estilos dentro da mesma década. Funk, soul, pop, baladas românticas e músicas dançantes fazem parte de seu repertório, e nos anos 80 isso seria uma enorme vantagem.
Ele poderia gravar uma faixa dançante, em seguida uma balada romântica e depois surgir com uma música cheia de metais, guitarras e grooves. E, claro, dificilmente escaparia de um solo de guitarra no último refrão.
Como poderia soar nos anos 80: funk, soul-pop e baladas radiofônicas com produção grandiosa.
Lady Gaga provavelmente teria dominado a era dos videoclipes
Os anos 80 não foram apenas uma década de grandes músicas. Foram também a época em que imagem, moda, televisão e música começaram a se misturar de maneira definitiva. Nesse universo, Lady Gaga provavelmente se sentiria em casa.
Figurinos marcantes, teatralidade, coreografias, videoclipes elaborados e grandes refrões são elementos que combinam diretamente com aquela geração. A MTV provavelmente teria encontrado nela material praticamente inesgotável.
Como poderia soar nos anos 80: synthpop dramático, dance-pop e produções visuais grandiosas.
Miley Cyrus poderia ser uma estrela do pop-rock
A voz rouca de Miley Cyrus encaixaria muito bem em uma produção típica do pop-rock oitentista. Com guitarras maiores, bateria cheia de reverb e arranjos mais grandiosos, várias de suas músicas poderiam assumir facilmente a estética das grandes rádios FM daquela época.
E provavelmente surgiria, em algum momento da carreira, uma power ballad daquelas que começam discretas e terminam com todo mundo cantando junto. Naturalmente, com um solo de guitarra antes do último refrão. Certas tradições precisam ser respeitadas. 😁
Como poderia soar nos anos 80: pop-rock, power ballads e refrões de arena.
Adele teria encontrado seu lugar entre as grandes baladas
Adele não precisaria de uma produção excessivamente eletrônica para funcionar naquela década. Sua força está principalmente na interpretação, e nos anos 80 provavelmente estaria cercada por piano, cordas, teclados discretos e uma bateria que entraria aos poucos até transformar a música em uma grande balada.
Ela poderia ocupar facilmente aquele espaço destinado às músicas lentas, dramáticas e emocionais que dominavam as rádios noturnas e faziam muita gente aumentar o volume quando começavam os primeiros acordes.
Como poderia soar nos anos 80: baladas de piano, soul-pop e produções construídas ao redor da voz.
Harry Styles poderia transitar entre pop e soft rock
Harry Styles já trabalha com muitas referências de décadas anteriores. Elementos de rock clássico, pop britânico e soft rock aparecem com frequência em suas músicas, por isso sua adaptação aos anos 80 provavelmente seria bastante natural.
Talvez surgisse usando uma guitarra pendurada no ombro em algum videoclipe filmado em preto e branco, com fumaça no palco e uma iluminação dramática. Porque era praticamente obrigatório. 📺
Como poderia soar nos anos 80: pop-rock britânico, soft rock e baladas elegantes.
Olivia Rodrigo teria guitarras ainda maiores
Com um pouco mais de guitarra, bateria explosiva e produção grandiosa, Olivia Rodrigo poderia funcionar muito bem no universo do pop-rock oitentista. Suas músicas possuem forte carga emocional e refrões capazes de crescer bastante.
Em uma versão anos 80, provavelmente seriam acrescentados teclados discretos, guitarras maiores e uma bateria que pareceria ter sido gravada dentro de um ginásio. Seu lado confessional continuaria intacto, apenas ganharia uma parede sonora muito maior.
Como poderia soar nos anos 80: pop-rock juvenil, guitarras marcantes e baladas emocionais.
Sabrina Carpenter poderia dominar as rádios FM
Sabrina Carpenter representa um tipo de pop melódico que poderia ser facilmente reinterpretado dentro da linguagem dos anos 80. Bastaria substituir parte da produção moderna por sintetizadores analógicos, baterias eletrônicas e linhas de baixo mais pronunciadas.
O resultado provavelmente lembraria aquele pop leve, bem produzido e extremamente radiofônico que dominava as FM. É o tipo de música que poderia tocar tanto durante o dia quanto numa programação noturna mais romântica.
Como poderia soar nos anos 80: pop sofisticado, sintetizadores brilhantes e refrões fáceis de lembrar.
Sam Smith caberia perfeitamente numa madrugada de rádio
Uma grande voz sempre encontra espaço. Sam Smith poderia funcionar muito bem dentro do universo das baladas românticas dos anos 80, especialmente aquelas produções lentas que começavam quase silenciosas e terminavam enormes.
Piano, sintetizadores atmosféricos, bateria entrando depois do primeiro refrão e uma interpretação vocal carregada de emoção seriam suficientes para criar aquela atmosfera de rádio noturna. Em outras palavras, teríamos uma balada de sete minutos pronta para tocar de madrugada. 😄
Como poderia soar nos anos 80: soul-pop, baladas românticas e produções dramáticas centradas na voz.
O segredo talvez esteja menos na década e mais na canção
Uma música pode nascer cercada por computadores, plugins e tecnologia moderna e, ainda assim, funcionar perfeitamente quando reconstruída com instrumentos e técnicas de outra época. Isso acontece porque algumas coisas não dependem tanto da tecnologia: uma boa melodia continua sendo uma boa melodia, um refrão forte continua funcionando e uma interpretação emocionante continua atravessando décadas.
Talvez seja justamente por isso que os anos 80 continuam aparecendo tanto na música atual. Artistas de gerações diferentes retornam continuamente aos sintetizadores, às baterias marcantes, às grandes baladas e à produção grandiosa daquela época, mas adaptam tudo isso à linguagem de seu próprio tempo.
Se eles realmente tivessem vivido aquela época...
Provavelmente nunca saberemos exatamente quem teria feito sucesso, mas seria curioso entrar numa loja de discos em 1987 e encontrar, na mesma prateleira, Michael Jackson, Madonna, George Michael, Whitney Houston, The Weeknd, Dua Lipa e Bruno Mars.
Talvez a maior surpresa fosse perceber que alguns deles nem pareceriam tão deslocados assim. As décadas mudam, os equipamentos mudam e as tendências mudam, mas aquilo que transforma uma música em lembrança continua praticamente no mesmo lugar: melodia, emoção e aquele refrão que permanece na cabeça muito depois de a música terminar.

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